A produção agrícola desenvolvida por povos indígenas em Rondônia tem ganhado destaque nacional, especialmente na cultura do café. Unindo conhecimentos tradicionais com técnicas sustentáveis, agricultores indígenas vêm conquistando reconhecimento em concursos de qualidade, evidenciando o alto nível da produção no estado.
Um dos principais exemplos é o agricultor Tawã Aruá, da etnia Aruá, que vive na aldeia São Luiz, na Terra Indígena Rio Branco, em Alta Floresta d’Oeste. Em 2024, ele alcançou a nota máxima de 100 pontos na avaliação sensorial do café Robusta, conquistando o primeiro lugar no concurso Tribus, promovido por uma das maiores torrefadoras do país.
A tradição na produção de café entre os Aruá vem sendo construída ao longo dos anos. Desde 2020, a etnia já acumula reconhecimento em concursos, como no caso de Valdir Aruá, um dos patriarcas, que conquistou o terceiro lugar em uma competição nacional após receber orientação técnica da Entidade Autárquica de Assistência Técnica e Extensão Rural de Rondônia (Emater-RO).
A agricultura indígena no estado combina práticas tradicionais de subsistência com a produção voltada ao mercado, desempenhando papel fundamental na segurança alimentar das comunidades. Além disso, o trabalho desenvolvido respeita os saberes culturais e valoriza o uso sustentável dos recursos naturais.
A Emater-RO atua diretamente com diversas etnias, como Paiter Suruí, Aruá, Arara e Gavião, oferecendo assistência técnica e extensão rural em regiões como a Zona da Mata, região Central e Madeira-Mamoré. Entre as principais atividades estão o cultivo de café e a coleta da castanha-do-Brasil, produtos que têm grande relevância econômica e ambiental.
Segundo o diretor-presidente da Emater-RO, Hermes José Dias Filho, o fortalecimento da produção indígena passa pela valorização de práticas sustentáveis. “O manejo agroecológico, sem uso de insumos químicos, aliado ao processamento mínimo dos produtos, garante alimentos mais saudáveis, maior segurança alimentar e agrega valor à produção”, destacou.
O avanço da produção agrícola indígena em Rondônia reforça a importância da integração entre tradição e inovação, promovendo desenvolvimento econômico sem abrir mão da preservação cultural e ambiental.








