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Aliados assumem cargos no governo com foco nas eleições.

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Governo abre espaço para aliados em movimento de olho nas eleições.

Pode-se usar muitos adjetivos, metáforas ou análises elaboradas. Mas, no fundo, o que começa a se desenhar na reta final da administração de Marcos Rocha é algo muito próximo de um governo compartilhado.

À medida que o calendário eleitoral se aproxima, a máquina administrativa começa a se reorganizar. Rocha amplia o espaço para aliados do Partido Social Democrático — legenda que hoje comanda no Estado — e, ao mesmo tempo, abre áreas estratégicas para nomes ligados ao seu candidato à sucessão, o prefeito de Cacoal, Adailton Fúria.

Claro que o governador também promove ajustes em outras áreas e escolhe, pessoalmente, quadros de sua confiança. Ainda assim, o movimento político é evidente. Mesmo que o ex-senador Expedito Júnior, uma das figuras mais influentes do PSD no Estado, assegure que todos os novos secretários “foram escolha pessoal do governador e não indicação do partido”, é difícil ignorar o peso das articulações políticas por trás das mudanças.

Segundo Expedito, a Secretaria de Finanças ficou com um técnico de extrema confiança de Rocha. Na Educação, outro nome técnico, com passagem pelo Ministério Público e pelo Tribunal de Contas, além de experiência como chefe de gabinete do prefeito Netinho, em Guajará-Mirim. Ainda assim, parece improvável que nomeações dessa magnitude aconteçam sem o aval de aliados estratégicos — entre eles, Fúria e outras lideranças do PSD.

O mesmo raciocínio vale para a Saúde. O respeitado neurocirurgião Edilton Oliveira, natural de Cacoal e amigo pessoal de Fúria, assume uma das pastas mais complexas do governo. É verdade que ele não é filiado ao PSD. Mas imaginar que aceitaria o desafio sem diálogo político prévio seria, no mínimo, ingênuo.

Mesmo que as mudanças em três das principais secretarias ainda não configurem uma grande reforma administrativa, elas atendem a dois objetivos claros: fortalecer o governo e acomodar aliados. Negar esse movimento seria ignorar a lógica mais básica da política.

E as mudanças não devem parar por aí. Novas alterações devem surgir para pavimentar o caminho rumo às eleições de outubro. Aliados do governo — incluindo pré-candidatos ao Senado, à Câmara Federal e à Assembleia Legislativa — certamente terão influência nas próximas decisões.

A menos de sete meses do primeiro turno, fortalecer aliados, parceiros e correligionários faz parte da estratégia de qualquer governante. Mesmo no caso de Marcos Rocha, que tem repetido que não pretende disputar o Senado.

O governador sabe que enfrentará uma disputa dura, tanto contra a oposição quanto contra antigos aliados que hoje trilham outros caminhos. Por isso, reorganiza sua base e estrutura política para o embate que se aproxima.

Na prática, a eleição de 2026 já começou. O termo “pré-campanha” existe mais para atender à formalidade da legislação eleitoral do que para refletir a realidade. A corrida pelo voto já está nas ruas — intensa, estratégica e sem disfarces.

Faltam cerca de 203 dias para o primeiro turno, mas a engrenagem política já gira em velocidade máxima.


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