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Força feminina ajuda a preservar a memória da EFMM em Porto Velho-RO

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Em um espaço historicamente dominado por homens, Euzenir Gomes construiu uma trajetória profissional marcada por dedicação, competência e coragem na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, tornando-se um exemplo de protagonismo feminino em um setor tradicionalmente masculino. Seu trabalho ia além de suas funções: era uma afirmação da presença das mulheres em setores estratégicos da economia regional.

Euzenir fez parte de uma geração de mulheres que romperam barreiras e consolidaram a participação feminina em áreas essenciais para o desenvolvimento da região Norte do Brasil. Ao atuar na ferrovia, ela contribuiu diretamente para manter viva uma instituição que não só transportava cargas, mas também conectava pessoas, culturas e impulsionava o crescimento de Porto Velho e arredores.

Protagonismo feminino

Ao longo de quase 20 anos, Euzenir trabalhou na área de gestão de pessoas, começando como escriturária e chegando ao cargo de oficial de administração, no histórico Prédio do Relógio, sede administrativa da ferrovia. Aos quase 88 anos, ela relembra com emoção o período em que integrou a equipe da ferrovia, patrimônio que acompanhou o nascimento e o desenvolvimento da capital rondoniense.

“Cheguei à região com 14 anos. A ferrovia foi meu primeiro emprego. Naquela época, as mulheres eram tarefeiras, mas eu atuava na gestão de pessoas, o que hoje chamamos de RH. Viajei muito de trem até Guajará-Mirim, acompanhando trabalhadores e enfrentando as dificuldades da região. Vivi muitas histórias que guardo na memória até hoje”, conta Euzenir.

Natural do Maranhão, sempre determinada, enfrentou desafios e conquistou seu espaço em um ambiente que exigia disciplina, responsabilidade e comprometimento. Foi em Porto Velho que se casou e constituiu família. Ela lembra ainda que viveu um período em que as mulheres começaram a conquistar direitos e ampliar sua participação no mercado de trabalho.

“Me sinto feliz com minha trajetória como mulher. Lembro de uma época em que não podíamos votar, estudar ou trabalhar. Aos poucos, fomos conquistando nossos espaços. Hoje, a mulher pode ser o que quiser, e tenho muito orgulho de ter trabalhado na Estrada de Ferro Madeira-Mamoré”, conclui.

Memória viva da cidade

Ao longo dos anos, Euzenir acompanhou importantes transformações na cidade e na própria ferrovia. Mais do que funcionária, tornou-se guardiã de histórias que hoje fazem parte da memória coletiva de Porto Velho. Suas lembranças preservam uma época em que o apito das locomotivas marcava o ritmo da cidade e simbolizava progresso e integração regional.

A trajetória de Euzenir representa o protagonismo feminino na construção da história local. Sua presença na ferrovia simboliza a força das mulheres que contribuíram para o desenvolvimento social e econômico de Porto Velho. Sua experiência reforça a importância de valorizar não apenas o patrimônio físico da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré, mas também as pessoas que ajudaram a construir e preservar esse legado.

Nas fotos em preto e branco, ficam registradas lembranças de uma época que jamais será esquecida. Para o prefeito Léo Moraes, Euzenir Gomes e todas as mulheres que, com trabalho e determinação, ajudaram a escrever a história da capital merecem reconhecimento e homenagem.

“Preservar a memória da ferrovia é também reconhecer a contribuição feminina na construção da identidade e do desenvolvimento do município. Nossa gestão valoriza nossa história. Tanto a Estrada de Ferro quanto a cidade de Porto Velho tiveram mãos de mulheres que ajudaram a construir nossa identidade”, afirmou o prefeito.


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